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Melhor amigo do homem: Luto do Pet, um luto não reconhecido


Por que a sociedade precisa validar a dor da perda de um pet?

Dia desses, acordei com uma mensagem de alguém por quem tenho muito afeto. Ela dizia: “O Bolota morreu. Não sei bem o que aconteceu, encontrei ele na piscina, sem vida.”

A mensagem já estava lá havia duas horas. Sem saber bem como reagir, liguei para o meu amigo.


De imediato, me ofereci para ir vê-lo e perguntei se poderia ajudar com o enterro. Com uma voz cansada e pesarosa, ele respondeu: “Ah... na hora fiquei muito nervoso, não sabia o que fazer. Minha mãe disse que o caminhão de lixo logo iria passar, então pegamos ele e colocamos em uma sacola de lixo, sei lá... Vou ligar no trabalho e dizer que estou doente.”


No momento, eu não disse nada, mas sabia o quanto aquele ritual de despedida teria sido importante. Meses depois, estávamos andando de carro e, quando um caminhão de lixo passou ao nosso lado, ele virou o rosto, evitando me encarar, e disse: “Desde aquele dia, eu sempre me sinto muito mal quando vejo um caminhão de lixo. Que besteira.”


O que é o luto não reconhecido?

Queridos leitores, a passagem anterior, por menor que pareça, reflete diversos aspectos de vivenciar um luto não reconhecido.


Ao longo da vida, é comum ouvirmos frases como “o cão é o melhor amigo do homem” ou “meus gatos são como meus filhos”.


No entanto, apesar de todo o reconhecimento social dos animais como figuras de suporte emocional, ainda há grande dificuldade em legitimar a dor pela perda de um pet.


Esse tipo de perda é caracterizado como um luto não autorizado ou marginalizado (Doka, 1989), o que pode acarretar prejuízos diretos à saúde emocional de quem é atravessado por essa experiência e tem seus sentimentos constantemente deslegitimados.





Déborah Brito de Oliveira, Thayná Silva Oliveira, Rackel Bicalho Accetti



 
 
 

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11 comentários

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Lara Silva
13 de nov. de 2025
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Que texto lindo e extremamente necessário.

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Convidado:
13 de nov. de 2025
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Muito bom

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Angel
13 de nov. de 2025
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Realmente muito importante e ja vivenciei muito essas dores, muito obrigado por representar dessa forma linda. Texto incrível. 👏🏼👏🏼

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Pedro
13 de nov. de 2025
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Nunca havia parado pra pensar como esse tipo de vivência é extremamente invalidada. Texto muito necessário! 👏

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Pedro Lucas
13 de nov. de 2025
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Incrível de verdade!

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Déborah Brito de Oliveira

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