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Reflexões psicológicas sobre o livro “A busca de Ella”

A Busca de Ella pode ser compreendida como uma narrativa profundamente humana sobre a experiência da perda, perda da memória, da identidade, da espera e da tentativa de reconstrução de sentido, temas que atravessam, de forma cotidiana, o ambiente hospitalar.


A busca de Ella não é grandiosa nem heróica; é silenciosa, marcada por cansaço emocional, dúvidas e pela necessidade de continuar mesmo quando não se sabe exatamente o que se procura.


No hospital, esse movimento é constante. Pacientes e familiares passam a habitar um tempo diferente, onde o futuro se torna incerto e o presente é vivido com intensidade e apreensão. Psicologicamente, trata-se de um estado de vulnerabilidade que convoca revisões internas profundas: quem sou eu diante do adoecimento? O que permanece quando tudo parece ameaçado?


A trajetória de Ella dialoga com esse processo de reorganização psíquica frente à ruptura da vida como ela era conhecida.


Há, ainda, uma presença importante da ambivalência emocional ao longo da narrativa: o desejo de seguir em frente coexistindo com a dificuldade de se desligar do que foi perdido.


No hospital, essa ambivalência aparece entre esperança e medo, entre aceitação e resistência. Do ponto de vista psicológico, reconhecer e validar essas emoções contraditórias é essencial para que o sofrimento não seja silenciado ou patologizado.


O livro também nos ajuda a compreender que buscar não é sinônimo de encontrar respostas ou alcançar resoluções. Em muitos casos, tanto na história de Ella quanto no hospital, não há respostas definitivas.


O que existe é o processo, feito de pequenos avanços, recuos, pausas e silêncios. É nesse espaço que o cuidado psicológico se insere: não para apressar conclusões, mas para sustentar o sujeito em sua travessia.


A Busca de Ella nos lembra que, em contextos de adoecimento, buscar é um ato de sobrevivência psíquica. É tentar manter-se inteiro diante da fragilidade. E, no hospital, onde nem sempre é possível curar, essa busca por sentido, escuta e presença torna-se uma das formas mais potentes de cuidado.





 
 
 

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Déborah Brito de Oliveira

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