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Uma reflexão sobre o Natal e o luto

Em agosto de 2018, descobrimos o câncer. Em outubro, minha avó partiu. Ela não era só a mãe da minha mãe, era também a mãe do meu coração. O colo onde eu chorava, mesmo adulta. O cheiro que ainda encontro na memória quando o mundo pesa. A mão que afagava meus cabelos e que, às vezes, ainda sinto como quem sente vento no rosto: sem ver, mas reconhecendo.


Perdê-la foi a dor mais funda da minha vida. E dezembro, desde então, deixou de brilhar. Eu amava o Natal ao lado dela. Agora, todo 24 amanhece com lágrimas que me acordam antes da luz. A ausência faz mais barulho do que qualquer sino.


Nesses cinco anos, muitas tradições se perderam. Comprei árvore, laços, enfeites… mas nunca o pisca-pisca. Ele me chamava das prateleiras, e eu respondia: “Hoje não.” Talvez porque acender uma luz parecia trair a que eu perdi.


Na semana passada, depois de um almoço solitário, comprei uma árvore para o meu avô e alguns enfeites para mim. E, sem entender exatamente por quê, peguei o pisca-pisca. Não pensei; apenas peguei. Quando percebi, estava em casa com ele nas mãos, e com uma coragem que eu não sabia que tinha voltado.


Todos esses anos, minha árvore ficou no escuro. Hoje, ela brilha. Suave, tranquila, como se guardasse um fiapo da luz que ela deixou em mim.


Vovó, onde quer que esteja, carrego nossas tradições, reinvento outras, e caminho acendendo pequenas luzes em seu nome.

A saudade continua, mas agora, pela primeira vez em muito tempo, ela também ilumina.


Autora: Libiny Edwirges Araújo dos Santos



 
 
 

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Déborah Brito de Oliveira

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